10 anos do iPhone: o que a próxima década reserva

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Nesta semana, completam-se dez anos desde o lançamento do primeiro iPhone. Aquele que parecia apenas mais uma aventura da Apple em um novo mercado acabou transformando para sempre a relação dos consumidores de diversas partes do mundo com a tecnologia.

Antes dele, acessar a internet era o tipo de coisa que, no imaginário popular, só poderia ser feito através de um computador. Foi a ideia de um celular inteligente, integralmente conectado à rede por meio de aplicativos em vez de sites, o que transformou nossa relação com a web.

Hoje ninguém mais tira uma pausa da rotina para “entrar na internet”, mas estamos conectados à ela o tempo todo. Smartphones vendem muito mais do que PCs, ao passo que o número de pessoas conectadas aumenta, o que deixa claro qual é o principal dispositivo usado para essas conexões.

Mas e nos próximos 10 anos? O que será que a tecnologia reserva para o iPhone de 2027? Será que ainda existirão smartphones? Ou será que a indústria planeja novos e inimagináveis dispositivos capazes de revolucionar tanto nossa interação com a web quanto o primeiro celular da Apple?

As apostas

É difícil adivinhar qual será a relação das pessoas com a internet e a tecnologia em si em 2027. Mas o que se nota é uma tendência que vem desde o advento do computador doméstico nas décadas de 1970 e 1980. Como escreveu Walt Mossberg, editor do site Recode, é a tendência do “computador que desaparece”.

Como exemplo, vamos dar uma olhada na história da própria Apple. O primeiro produto da empresa e o que realmente lançou a marca no mercado em 1976 foi um computador nada prático, com 12 kB de RAM e processador de 1 MHz que vem sem embalagem, sem fonte, sem teclado e sem monitor, chamado Apple-1.

Hoje ele até pode parecer ultrapassado ou desengonçado, mas foi o primeiro computador a ser vendido com a placa-mãe já montada na história. Anos depois, estamos em 1984 e a Apple apresentava ao mundo um dos primeiros computadores com interface gráfica guiada pelo usuário, uma máquina com mouse e programas com gráficos definidos.

Até então, a tela de um computador exibia apenas um fundo preto com caracteres verdes circulando códigos de um lado para o outro. Isso mudou com o Macintosh e a navegação orientada pelo mouse, uma tecnologia que a Apple roubou do laboratória de inovação da Xerox. Em seguida veio o Windows, democratizando esse conceito e levando a nova era da computação para muito mais máquinas.

Foi só em 2007, com o primeiro iPhone, que o status quo começou a mudar e o PC foi lentamente substituído pelo smartphone. Mas como fomos daquela máquina gigantesca que era o Apple-1 para um pequeno aparelho de 5 polegadas guardado no nosso bolso, o iPhone? Este é o que especialistas chamam de “computador que desaparece”.

A ideia é que, cada vez mais, nossa relação com a tecnologia a internet vai se tornar parte do cotidiano de maneira que nem vamos perceber. Se nos anos 1970 a computação se resumia a uma grande máquina, alojada num canto do escritório, e que apenas especialistas sabiam usar, hoje qualquer um pode fazer muito mais do que um Apple-1 sem ter qualquer conhecimento aprofundado de computação.

Não pensamos em nossos smartphones como máquinas, mas como acessórios que fazem parte das nossas vidas. O computador era um monstro intimidador alguns anos atrás, e hoje é tão íntimo que o carregamos no bolso. O futuro da tecnologia parece seguir essa tendência: a de dispositivos cada vez mais “camuflados” no nosso dia a dia.

Isso já pode ser visto no mundo de hoje, na verdade. Os assistentes domésticos, como o Amazon Echo e o Google Home, por exemplo, são computadores bem mais convidativos que se escondem no meio da mobília e não precisam nem de mouse, mas fazem tudo ouvindo comandos de voz do usuário. Qual seria, então, o próximo passo?

Realidades aumentadas

Se Steve Jobs foi a cara da tecnologia de 1984 até 2011, ano da sua morte, o novo rosto dessa indústria é certamente o de Mark Zuckerberg. O presidente e fundador do Facebook sabe bem disso, por isso já se antecipou a prever publicamente o que os próximos anos trarão para o mercado.

Segundo Zuckerberg e alguns executivos do Facebook próximos à ele, os smartphones já morreram. A próxima tela que nos levará ao contato com a internet é a tela de um óculos a milímetros de distância dos nossos olhos. Este é o futuro prometido pela realidade virtual e da realidade aumentada.

Imagine acessar redes sociais, trocar e-mails, assistir a vídeos, fazer tudo o que você faz hoje na internet sem precisar apertar botões ou sequer segurar qualquer coisa na sua mão. Imagine que o conteúdo que hoje você vê na tela de um celular ou de um PC em breve estará nas lentes de um par de óculos montado no seu rosto.

Você não vai mais precisar de mouses ou comandos de voz (algo que o Google Glass entendeu errado), mas fará tudo com o movimento dos olhos. Ou, nas ambições mais malucas do Facebook, esses óculos inteligentes podem ser controlados até pela mente do usuário. Aqui estamos de novo diante do conceito do “computador que desaparece”.

A mesma Apple que impactou o mundo com o Macintosh e com o iPhone vem trabalhando em óculos de realidade aumentada, que sobrepõem o ambiente que nós vemos pelos nossos olhos com imagens geradas artificialmente, como ícones de aplicativos ou outras funções. A Microsoft também tem ambições nessa área, como mostra essa demonstração do seu HoloLens.

A ideia, portanto, é que o “iPhone” dos próximos dez anos seja mais do que um celular. Até porque pesquisas mostram que as vendas de smartphones têm dado sinais de estagnação nos últimos anos. A indústria precisa se reinventar o mais rapidamente possível, e as promessas para a próxima década são tão excitantes quanto o multi-touch do primeiro iPhone.

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